domingo, 5 de junho de 2011

Historias e Lendas sobre as SERPENTES

As cobras possuem características que sempre fascinaram os seres humanos, desde o começo dos tempos. Algumas dessas características acabam por levar a supertições, lendas e até mesmo a mitos religiosos.

As cobras fazem parte de um seleto grupo de animais, que são capazes de conceder uma morte rápida e dolorosa ao mesmo tempo, com uma simples mordida.

Outra característica interessante desses répteis é a troca de pele, que foi inclusive notado por culturas anciãs, que viam isso como um ato de ressureição e renovação do espírito.

O ato de fitar, os olhos que não piscam, o movimento flexível da ausência de pernas, o corpo gelado e o deslizamento das escamas foram inspirações para numerosos mitos humanos e lendas espetaculares sobre as cobras.

Veremos aqui algumas referências a esses répteis, em lendas diversas de alguns povos antigos.

Gregos

  • De acordo com alguns estudiosos, Dionísio (Deus do vinho e da fertilidade) tinha forma de cobra.
  • Eurydice foi assassinada por uma picada de cobra no dia do seu casamento e Orpheu (Músico e poeta da mitologia) tentou trazê-la de volta.
  • Laocoon e seus dois filhos foram mortos pelas serpentes de Minerva.
  • Nosso símbolo médico de duas cobras envolvendo uma equipe médica vem da Antiguidade, mitologia grega. De acordo com a lenda, a figura mítica Asclepius (o filho de Apollo e Coronis), Deus da Medicina, descobriu a medicina observando uma cobra usando ervas para trazer outra cobra de volta a vida. Por Asclepius trazer seus pacientes de volta dos mortos Zeus matou o curador com um raio. Como pedido de Apollo, Asclepius foi colocado entre as estrelas como Ophinchus, o portador das serpentes.

Gregos / Romanos

  • Hércules, quando bebê, matou duas das serpentes de Hera. Para sua segunda tarefa, Hércules matou a criatura Hydra.
  • Python (Jibóia) era uma serpente que vivia nas cavernas do Monte Parnassus e foi morta por Apollo (Deus do Sol), que depois, ou fundou o oráculo sagrado em Delphi, ou o tirou do domínio de Phyton. De acordo com uma versão, a ciumenta Hera enviou Python para ferir Leto, inceminada por Zeus. Zeus ajudou Leto a escapar, e logo após ela deu a luz a Apollo e Artemis. Quando Apollo ainda era bebê, ele vingou erroneamente a mãe, matando Python com suas flechas, que ele apenas usava contra os animais fracos. Então ele mudou seu nome para Pythius e organizou os Jogos Pythian - os quais testavam os homens em força, rapidez dos pés, e corrida de carruagem - para celebrar a vitória. Em outras versões Apollo matou Python simplesmente porque isso o impediria de fundar o oráculo.

Romanos

  • As 'Fúrias Romanas' tinham cabelos de cobra, como Medusa.
  • Júpiter (nome romano para Zeus), sob o disfarce de um touro, tinha raptado Europa, filha de Agenor, o rei da Fenícia (reino antigo na região oriental do Mediterrâneo). Agenor ordenou que seu filho Cadmus fosse em busca de sua irmã, e que não voltasse sem ela. Cadmus obedeceu e procurou por muito tempo em locais distantes, mas não a encontrou. Como não tinha coragem de voltar fracassado, consultou o oráculo de Apollo para descobrir em qual continente ela estaria. O oráculo informou que ele encontraria uma vaca no campo, e que ele deveria seguí-la por qualquer caminho que ela por ventura seguisse, e onde ela parasse, ele deveria construir uma cidade e chamá-la de Tebas. Cadmus mal tinha saído da caverna Castalian, onde o oráculo ficava, quando ele viu uma vaca nova andando lentamente adiante dele. Ele a seguiu de perto, oferecendo ao mesmo tempo orações para Phoebus. A vaca continuou caminhando até passar o raso canal de Cephisus e parou na planície de Panope. Lá ela ficou parada; levantando sua larga testa para o céu, encheu o ar com seus mugidos. Cadmus agradeceu, e beijou a terra estranha, e então, levantando os olhos, cumprimentou as montanhas que o cercavam. Desejando fazer uma oferenda para Jupiter, ele enviou seus criados para procurar água potável para o ritual. Perto dali tinha um bosque antigo que nunca tinha sido profanado por um machado, e no meio dele tinha uma caverna com a entrada quase que totalmentre fechada com arbustos. Seu teto era em forma de arco, e debaixo dele uma fonte de pura água. Na caverna ocultava-se uma horrenda serpente com cabeça encrespada e escamas reluzentes como ouro. Seus olhos brilharam como fogo, seu corpo era inchado de tanto veneno, e ela vibrava uma língua tripla, e mostrava três fileiras de dentes. Tão logo os Tyrians mergulharam seus jarros na fonte, as águas fizeram um ruído. A brilhante serpente levantou a cabeça e pronunciou um medonho assobio. Os vasilhames caíram de suas mãos, o sangue deixou suas faces, e eles tremeram todos os membros do corpo. A serpente, contorcendo seu escamoso corpo, levantou a cabeça na altura das árvores mais altas , e quando os Tyrians cheios de terror não podiam nem lutar nem voar, ela destruiu alguns com seus dentes, outro enrolando neles, e outros com suas respiração envenenada. Cadmus levantou uma enorme pedra e jogou com toda força na serpente. Um bloco desse tamanho teria sacudido o muro de uma fortaleza, mas não causou danos no monstro. Cadmus então jogou sua lança que penetrou nas escamas da serpente, perfurando as suas entranhas. Sentindo muita dor, e mais violento por isso, o monstro virou a cabeça para ver o machucado, e tentou arrancar a arma com a boca, mas o quebrou, deixando a ponta de ferro irritando sua carne. Seu pescoço estava inchado, e espuma e sangue cobriram sua mandíbula. A respiração de suas narinas contaminaram o ar em volta. A serpente se debateu em círculos, e despencou na terra. Enquanto ela se movia adiante, Cadmus recuou, segurando sua lança no sentido contrário a mandíbula aberta. Ela abocanhou a arma e tentou morder a ponta de ferro. Cadmus, percebendo sua chance, empurrou a lança no momento que a cabeça do animal veio contra o tronco de uma árvore, conseguindo assim atravessar a lança até o outro lado. Seu peso curvou a árvore quando ela lutou agonizando até a morte.

Indios Sul-Americanos

  • A inundação Yanomamo recuou quando uma mulher mergulhou nela e se tornou o monstro-cobra. O primeiro Ceubo emergiu como uma anaconda e se tornou humano após trocar de pele. A Desana emergiu do submundo numa canoa, o qual tinha um corpo de anaconda.

Sumérios

  • Uma serpente roubou a erva da imortalidade de Gilgamesh.

Astecas / Mesoamericanos

  • Huitzilopochtli empunhava uma serpente como espada.
  • Os astecas conheciam sua nova terra natal pelo sinal de uma águia comendo uma cobra.
  • Tezcatlipoca e Quetzalcoatl transformaram-se em serpentes e esmagaram Tlaltechutli, dividindo-o em dois - a Terra e o Firmamento.
  • Quetzalcoatl era conhecido como o Mestre da Vida pelos astecas da America Central. Ele era o Deus Serpente..

Africanos

  • Algumas culturas africanas endeusavam Pythons (Jibóias) e consideravam a morte de alguma, um sério crime.

Indianos

  • Na India, as cobras eram vistas como reencarnações de importantes pessoas conhecidas como Nagas.

Um comentário:

  1. No Brasil também tem a lenda do Boitatá, mito indígena simbolizado por uma cobra de fogo ou de luz com dois grandes olhos, ela protege os campos contra incêndios ou é uma encarnação de alma penada.

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