quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Anatomia das Serpentes



A anatomia das serpentes é caracterizada pela ausência total de pernas e braços e por um corpo extremamente longilíneo. É interessante como a natureza empacotou todos os órgãos em um tubo tão alongado.

As serpentes tem vísceras que cumprem todas as funções que conhecemos nos mamíferos, como cérebro, coração,pulmão (elas so possuem um), fígado, rim, tubo digestivo e órgãos sexuais. Devido ao formato do corpo, os órgãos pares(rins,ovários,testículos) não estão em posição simétrica como, por exemplo, em nos, mas um mais a frente do que outro. As serpentes não tem bexiga, os rins excretam ácido úrico  na cloaca que é uma bolsa onde também se esvazia o intestino. Nisto, os ofídios lembram as aves.

                                                          
 
Sistema Reprodutor

As fêmeas apresentam um par de ovários. Cada ovário tem um oviduto que se abre na cloaca. Modificações coordenadas da morfologia, fisiologia e conduta das espécies são observadas durante o ciclo reprodutivo. Nas fêmeas, as principais mudanças morfológicas ocorrem nos ovários e ovidutos. Os ovidutos das serpentes apresentam múltiplas funções na fertilização, como estoque de esperma, transporte de ovos, deposição da casca, manutenção do embrião e expulsão do ovo ou feto. Durante a estação reprodutiva os ovidutos também apresentam variações morfológicas, sendo maiores no período de estro (fase de vitelogênese secundária) e menores após esta fase. 

 Os machos apresentam um par de testículos, Apresentam um par de órgãos copuladores HEMIPÊNIS. A maioria das espécies apresentam dimorfismo sexual, sendo a fêmea maior que os machos e algumas espécies os machos apresentam cauda mais grossa que a fêmea.

                                                    

Na época do acasalamento as fêmeas liberam ferormônios sendo vários machos atraídos, podendo haver combate. Antes da cópula ocorre ritual de corte: fricção da parte inferior da cabeça do macho contra o dorso da fêmea. Durante a cópula o hemipênis é evertido, inflado com sangue e introduzido na cloaca da fêmea, que pode armazenar os espermatozóides durante anos. A corte pode durar de alguns minutos até 72 horas.

                                                       
A maioria das espécies brasileiras são ovíparas. Os ovos frequentemente são brancos, de casca resistente e flexível. A incubação é de 60 a 70 dias, variando conforme a espécie. Algumas espécies (Boidae, Viperidae e alguns Colubridae) são vivíparas, sendo que o desenvolvimento dos embriões ocorre no interior do oviduto da mãe.

                                                        
O numero de filhotes ou ovos varia de acordo com a espécie. Várias espécies de serpentes produzem ninhadas pequenas com um a quatro ovos ou filhote, contudo algumas espécies podem produzir 100 ou mais filhotes. Os recém nascidos são idênticos aos pais, porém em menor tamanho corporal, podendo apresentar padrão de coloração e desenhos diferentes. Apenas poucas serpentes apresentam cuidado parental, sendo realizado através de proteção aos ovos [enrolando-se envolta deles (Surucucu - Lachesis muta) ou atacando predadores (Pseudoeryx plicatilis – Colubridae)]; assistência à prole não é observada.



 


Ovíparas

Ovíparas são as serpentes que colocam ovos, sendo que o desenvolvimento  dos  filhotes ocorrem durante a incubação dos mesmos. Algumas serpentes são capazes de elevar a temperatura corporal enquanto "chocam" seus ovos. Alguns exemplos de serpentes ovíparas são: pítons, corn snake, caninana, falsa coral. A quantidade de ovos varia conforme a espécie, e pode variar de 1 a 100ovos por postura. Eles  são depositados em ambientes externo, em local abrigado de sol. Tem a forma oval meio comprido e cascas pegajosas resistentes e flexível, geralmente de com branca. A grande maioria das serpentes abandona os ovos logo após a postura. Quando os ovos eclodem os filhotes rompem a casca com um pequeno dente, que logo depois e perdido, e imediatamente se dispersam em busca de alimento. 
                                                                        

Vivíparas  

Já, as serpentes que dão origem à filhotes completamente formados, são chamadas de vivíparas, como é o caso de jibóias, jararacas, cascaveis, sucuris. O tempo entre a fecundação e o nascimento é de 60 a 70 dias, dependendo da espécie. A quantidade de filhotes pode variar de 1 a 50, a cada parto. Os filhotes já nascem desenvolvidos, e imediatamente se afastam da mãe e dos irmãos, em busca de alimento

                                                   


Sistema Digestório

A digestão das serpentes começa na boca. Enquanto se alimenta, glândulas localizadas na boca secretam suco digestivo. Nas espécies venenosas esta substância, o suco digestivo, além de ajudar na digestão, ajuda também na captura da presa, paralisando-a. O alimento é engolido pela serpente aos poucos, começando geralmente pela cabeça, com um lado da boca ela prende o animal com os dentes e com o outro puxa-o para o interior de seu corpo, quando passa pela boca a presa continua sendo levada a seu interior por peristaltismo até o estômago (seção ampla do intestino). Não apresenta-se enrolado, por razão do formato fino e alongado das serpentes. O alimento não digerido é expulso pelo reto e cloaca (geralmente dentes e pêlos). A urina é eliminada com as fezes, assim como nas aves.


A temperatura tem um papel importante na alimentação das serpentes, pois influencia na velocidade de digestão das mesmas.


A velocidade da digestão aumenta ao aumentar a temperatura ambiente, possivelmente com a ocorrência de um aumento da secreção gástrica. Temperaturas extremas, menores de 5ºC e maiores de 35°C, afetam de modo importante o processo digestivo (Francini et al. 1993), podendo ser lenta e até haver regurgitação.
A serpente costuma ter melhor digestão com a temperatura ambiente de 25 ºC.


Outro importante influenciador é o próprio veneno, que ajuda na digestão do alimento, logo que começa à engolir sua presa.



As serpentes possuidoras de dentes inoculadores de veneno tem uma melhor digestão que as de dentição áglifa, apesar destas terem em suas salivas bactérias que ajudam na digestão.


 Como as cobras comem bichos maiores que ela?
 
O corpo delas parece feito de borracha: tudo estica quando a cobra resolve comer. A pele e a musculatura são elásticas e os ossos são maleáveis. A mandíbula é capaz de abrir mais que a de outros animais, formando um ângulo de quase 180 graus com os ossos de cima. Assim, a comida passa pela boca. As costelas também são móveis. Quando a cobra engole, elas se desencaixam e abrem caminho para o alimento chegar ao aparelho digestivo.





SISTEMA RESPIRATÓRIO

A maioria das serpentes, cerca de 90%, apresentam um pulmão funcional e outro atrofiado. As que possuem pulmão esquerdo funcional são dos grupos mais avançados, com exceção das Boas e Pítons. Porém as que não possuem o pulmão esquerdo compensa esta falta com o pulmão traqueal, que é uma extensão do pulmão direito, isto ajuda na respiração da serpente, quando esta estiver engolindo uma presa grande. A traquéia muscular também ajuda na respiração, pois será empurrada para frente, fazendo pressão contra a presa, com isso poderá continuar a respirar.

Nas serpentes aquáticas o pulmão direito é bem maior, e na sua parte inferior existe uma modificação para que o animal possa controlar sua capacidade de flutuação na água.


A língua, que se une a glote (abertura da faringe), é importante, pois é através dela que o ar entra pela traquéia indo até os pulmões. A glote se dilata durante a ingestão de grandes presas. Essa estrutura é localizada mais à frente, na base da língua.


As serpentes possuem sim nariz, mas é chamado de narina. Não possuem função olfativa, auxiliam na respiração. A língua é quem irá fazer a função do olfato.



5 comentários:

  1. Sou Médico Veterinário e trabalho com Epidemiologia de Animais Peçonhentos,pesquisa com veneno e manejo clínico veterinário de serpentes em cativeiro e parabenizo este belíssimo trabalho.
    Um abraço
    José Renato Ribeiro
    renatojanacievicz@gmail.com
    Amapá, Brasil

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  2. Adorei o trabalho, sou técnica em agroindústria e técnica em aquicultura pela UF e o seu trabalho serviu como base para um trabalho sobre répteis bem interessante que fiz. Parabéns.

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